24 Maio 2009

Pedofilia em Catanduva

Pedofilia: Mães e crianças chegam para reconhecimento

Desde que o assunto explodiu na imprensa, por meio de denúncia ao site Passando à Limpo, venho acompanhando o caso de Pedofilia em Catanduva. Por 5 dias, um batalhão de repórtes de todo o país fincaram seus domicílios em Catanduva em busca de informações. À boca pequena, moradores da cidade já tinham uma certeza: somente “gente pequena seria pega”. Erros grotescos nas investigações levaram duas experientes delegadas a terem que se explicar à CPI da Pedofilia. Senadores presentes na cidade afirmaram que a atitude de uma das delegadas foi irresponsável, já que avisou o advogado de um dos possíveis suspeitos, que uma diligência seria feita para apreenção de um computador.

A imprensa buscou por todos os meios cumprir o papel de informar à sociedade o que estava acontecendo em Catanduva. Enquanto isso, os poderes legislativo e executivo nada fizeram para amenizar os problemas dessas famílias. A Igreja se calou diante de tanta “roupa suja” e preferiu aguardar o fim dos acontecimentos.

Uma pena, já que na igreja também há pedófilos. Seria uma boa hora de uma manisfestação pública contrária a esse tipo de crime. Estranho foi a atitude da OAB local, que também preferiu se esquivar e não tomar parte do assunto... estranho por não terem erguido mais essa bandeira de luta. A revista énotícia, trouxe em sua edição nº 2, de maio de 2009, uma reportagem ampla sobre o assunto. Um detalhe: Como acompanhei de perto o caso, posso atestar que a revista retratou fielmente o acontecido.

O Silêncio dos Inocentes

Senador Magno Malta interroga detido
A Pedofilia - Depoente
A Pedofilia 'Zé da Pipa'
Pedofilia - Delegada Rosana Vanni fala à imprensa

Pés no chão, roupas simples, poucos brinquedos e alegria, famílias desgastadas pela violência contra os filhos. Esse era o início do terrível cenário com mais de 57 vítimas de pedofilia apresentado na cidade de Catanduva que chamou a atenção da imprensa do País.

Tudo começou no dia 14 de dezembro de 2008, quando a mãe de dois menores, moradores do bairro Jardim Alpino, suspeitou do borracheiro José Barra Nova de Mello, 46 anos, conhecido como "Zé da Pipa", por ter fotografado o rosto de seus filhos.

Os primeiros relatos das vítimas afirmavam que um dos menores teve contato sexual por diversas vezes com o suspeito, com a prática de atos libidinosos no garoto. Para atrair as crianças ao local de "trabalho", uma bicicletaria, Zé da Pipa ofertava balas e doces, além de jogos de videogame.

Na residência do "Zé da Pipa", onde ele se apresentava muitas vezes sem roupa para as crianças, foram apreendidas 28 fitas de vídeo, uma impressora, MP4, brinquedos, balas, doces, fotos e desenhos pornográficos. As narrativas, até então tímidas, apontavam para as primeiras investigações no caso de atentado violento ao pudor e pedofilia em Catanduva.

Um mês depois, na mesma semana da prisão do borracheiro, o Departamento de Educação de Catanduva informava para a Delegacia de Defesa da Mulher que foi procurado por familiares de 36 crianças que afirmaram que os alunos teriam sofrido abuso do borracheiro.

Novas peças do quebra-cabeça surgiram e novos nomes passaram a ser investigados, como do sobrinho do borracheiro, Willian Melo de Souza, 19 anos. Nessa altura dos acontecimentos os moradores dos bairros Cidade Jardim e Alpino estavam revoltados com o caso que a DDM apurava.

As primeiras revoltas marcavam as investigações e demonstravam para o País um dos piores casos de pedofilia registrados no Brasil. Até aquele momento era confirmado que o investigado "Zé da Pipa" havia sido reconhecido por 14 crianças, 11 pela prática de atentado violento ao pudor, duas por importunação ofensiva ao pudor. Outra criança reconheceu o borracheiro como autor de ameaça. Willian foi reconhecido por uma criança por atentado violento ao pudor, e outras o indicaram por ele frequentar a casa do tio.

A ONG Pró-Cidadania, procurada pelos familiares das vítimas, encaminhou por e-mail para a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, um e-mail intitulado "O Silêncio dos Inocentes", no qual falou das crianças e supostas falhas no inquérito concluído: o caso ganhou repercussão nacional. Como uma bomba, o fato estourou em todo o País e incentivou dois movimentos realizados pelas famílias das vítimas. Nesse período a imprensa nacional divulgou os fatos com temas que marcaram o Município: "Catanduva: o reino da pedofilia; "Catanduva: é a capital da pedofilia"; "Especialista diz que pedofilia em Catanduva é tragédia" e "A cidade dos pedófilos".

Nas ruas a população passou a ver figuras que até então só eram vistas pela televisão: Caco Barcelos da Rede Globo passou dois dias na cidade. Misturou-se aos jornalistas daqui numa espera infindável pelo fim dos reconhecimentos realizados na DIG. Depois, dos céus, chegou Luciana Gimenes da Rede TV. A cidade virou rota e ronda obrigatória da imprensa. Cerca de um mês após o início das investigações os nomes de José Emanuel Volpon Diogo, Wagner Rodrigo Brida Gonçalves, Eduardo Augusto Arquino, André Luiz Cano Centurion, e os menores J. H. S. e N. R. S. ficaram conhecidos no Brasil, após publicação no site do Senado Federal da lista de pessoas que seriam ouvidas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada para apurar o caso.

Pedofilia: Caco Barcelos e Fernando Veteri cobrindo o caso em Catanduva

Criava-se a expectativa da descoberta de existência de uma rede de pedofilia nacional, e, quem sabe, internacional. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e a Polícia Federal de São José do Rio Preto foram solicitados para entrar no caso para averiguar, investigar e periciar o inquérito policial.

Fotos: Fernando Veteri.

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